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Mostrando postagens de outubro, 2024

Viva a vida!

Eu sei como é chato lidar com pai velho. Lidei com o meu por 20 anos. E os meus filhos agora passam pelo mesmo desafio, aguentar minhas indecisões, minhas às decisões, meus desacertos. E vão, generosamente, consertando aqui e ali, ajeitando as coisas até que essas coisas deixem de ser presente e sejam apenas herança, apenas meu passado constituindo seu presente. Apesar de minha formação acadêmica e profissional, sempre fui altamente ineficiente na maioria das tarefas que pratiquei. Me destaquei em apenas duas ou três, muito especificas: interpretar e escrever atos normativos, foi uma delas. Também na fala, tive pequenos sucessos, em especial entre as mulheres. Tive companheiras maravilhosas que eu não soube conservar e sofro por isso. Conservo, entretanto, imenso carinho por todas elas. Estarão sempre muito bem acolhidas em minha memória afetiva. Quando for bem idoso, suas imagens, seus sorrisos, suas falas alegres serão algumas das minhas melhores memórias. Os momentos tristes, raros,...

Partir o pão.

Nos anos cinquenta do século passado era comum nas cozinhas ver senhoras comerem, com a mão, bolinhos de feijão com carne e farinha de mandioca. Minha mãe fazia isso e eu o faço até hoje. Creio que o hábito vem das senzalas, onde não entravam os finos talheres importados da Inglaterra. Outra fonte provável do costume decorre de que muitos escravizados eram de origem muçulmana, habituados a partilharem o pão e outros alimentos com as mãos. Jesus partiu o pão com as mãos e, penso, com as mãos comia peixe. A presença de pias nas cozinhas não  serviriam para a limpeza das mãos? Há uns 15 anos ouvi um palestrante especializado em comunicação afirmar que o objetivo de partilhar o pão é estabelecer comunhão. Lembrava ele, então, que quando os homens desejam uma mulher a convidam para jantar...