Viva a vida!

Eu sei como é chato lidar com pai velho. Lidei com o meu por 20 anos. E os meus filhos agora passam pelo mesmo desafio, aguentar minhas indecisões, minhas às decisões, meus desacertos. E vão, generosamente, consertando aqui e ali, ajeitando as coisas até que essas coisas deixem de ser presente e sejam apenas herança, apenas meu passado constituindo seu presente.
Apesar de minha formação acadêmica e profissional, sempre fui altamente ineficiente na maioria das tarefas que pratiquei. Me destaquei em apenas duas ou três, muito especificas: interpretar e escrever atos normativos, foi uma delas. Também na fala, tive pequenos sucessos, em especial entre as mulheres. Tive companheiras maravilhosas que eu não soube conservar e sofro por isso. Conservo, entretanto, imenso carinho por todas elas. Estarão sempre muito bem acolhidas em minha memória afetiva. Quando for bem idoso, suas imagens, seus sorrisos, suas falas alegres serão algumas das minhas melhores memórias.
Os momentos tristes, raros, por meus tropeços ou por acasos, vou apagando de mansinho até restarem leves sombras que não esconderam os momentos de prazer e de glória.
E assim posso dizer um Viva! aos momentos felizes que vivemos juntos. Os viveria, todos, de novo, com mais sabedoria. 
Agora, que venha o futuro, construção do passado e de novas memórias. Viva a vida!

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