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Mostrando postagens de março, 2025

Quero meu país de volta

Eu vivia no país da poesia, Onde toda gente brincava Quando o Sol da tarde caía A nambu e a juriti piavam. Vivia num lugar de alegria Onde todo mundo se dava.  Todo vizinho era amigo A gente até namorava Agora é um país de agonia Ninguém mais se fala Todo mundo se estranha Até o amigo se cala. Tinha hino, bandeira e espada Agora tem funk e sacizada, Tem governo de corrupto E a facção domina a parada. Quero meu país de volta O poeta feliz e liberado A risada livre de novo, O poema lido e recitado.

A mulher no quintal

Quando menino, todas as janelas tinham tramelas e trancas de madeira. Isso bastava para nos proteger dos ladrões. Bastava um ruidoso "- Pega ladrão!!!" para os cachorros latirem, lâmpadas serem acesas... Um vizinho mais bem disposto exibia uma espingarda de chumbo fino, daquelas de caçar rolas, nambus e juritis. Mas isso era pouco comum. No correr dos meses, de Verão a Verão, vivíamos em paz.  Todas as manhãs, chovesse ou fizesse sol, minha mãe, sempre feliz, muito falante, abria as janelas de par em par. Eventualmente declarava, como uma profissão de fé: "- Onde entra a luz e o vento, a doença não entra!"  Era uma mulher radiosa. Amava a luz. Copiei-lhe o hábito. Não vivo em uma gaiola, preciso de luz, de ar fresco, ou não se ouvirá o canto do pássaro que habita em meu peito. Todos os dias, pelas manhãs ou quando retorno dos meus passeios, abro as portas das varandas frontais, as janelas dos quartos e a janela da cozinha, que dá para os fundos da minha casa e para ...