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Mostrando postagens de setembro, 2021

De volta para casa

Estava lendo sobre a história da Filosofia Portuguesa, quando vi uma postagem no telemóvel. Interrompi a leitura, para ouvir a linda música e ler o texto a ela associado, e que termina assim: "E que todas as coisas só existiram dentro de mim e me conduziam de volta para casa."  Essa frase é profundamente filosófica. Estava lendo e meditando exatamente sobre isso. Na infinitude da pequenez de cada um de nós, um nada, se desaparecer a força que mantém as partículas subatômicas separadas, o que só acontece porque a natureza resulta de um desenho que reflete a Vontade Divina na natureza.  Nós, seres vivos, somos, fundamentalmente, um desenho dessas partículas, mantidas separadas, mas associadas entre si e com o espaço exterior ao desenho e em permanente e frenético  movimento, enquanto essa Vontade se manifesta, alimentando o desenho. Quando chega a hora de voltar para casa, a força dessa energia diminui os espaços entre as partículas deixam aos poucos de existir e retornamos...

No Politeama

Há umas duas décadas entrei num cinema para assistir um filme, sem saber de que tratava, no antigo Cine Politeama, no bairro de mesmo nome, perto da Casa da Itália, em Salvador, capital da Bahia. Estava com minha mulher, que ia atender, naquela área, a um compromisso, durante umas duas horas. Vi a fila do cinema e entrei, no que portugueses chamariam de rabo da bicha, ou seja, fim da fila. "O Padre" é um filme muito humano, mostrando as relações afetivas de um padre hetero e de um padre gay, com seus respectivos cônjuges. Uma das cenas mostra, em tela cheia, uma ato sexual entre o jovem padre e seu companheiro. Quando o filme terminou, a platéia em peso aplaudiu. Só então me dei conta de que o filme era dirigido a um público específico e que eu era um estranho no ninho. Ri muito, comigo mesmo, constrangido. Ninguém me olhou com estranheza. Hoje olho pra trás e penso que o filme é uma ótima lição de tolerância e de aprendizado. Recomendo a quem não viu o filme que o veja. Sem...

Lembrança

- Me põe para dormir? Perguntou baixinho. Sentado à mesa da cozinha, girei a cabeça para a esquerda, fitei aquela doce senhora de setenta e muitos anos, sorri-lhe com ternura, venci a dor no joelho ao me levantar, acomodei bem o esporão do calcanhar no sapatênis almofadado, caminhei cinco passos curtos e a envolvi devagar em um abraço terno. Ela acomodou o rosto no meu peito, tocou meu cotovelo, como sempre fazia quando estava muito feliz e fez uma leve  pressão no meu braço. A conduzi com suavidade até a cama, levantei o cobertor aquecido, tomei suas mãos com segurança, a sentei com cuidado e a acomodei debaixo do cobertor e do edredon. Ela me olhou feliz e agradecida e fechou os olhos. Então, Morfeu a recebeu em seus braços e a conduziu em sonhos à cidade murada de jaspe luzente, e juncada por áureos troféus. Ainda hoje, sentado à mesa da cozinha, me surpreendo girando a cabeça para a esquerda, evoco a sua imagem a dizer baixinho: - Me põe pra dormir?

Repartir os lucros da exploracão da Terra

A substituição de mão de obra pela automação é inexorável. A mão de obra está sendo substituída pelos robots, em todas atividades, em todo o mundo. A pandemia em curso favorece a substituição. Logo a economia  mundial vai ter que sustentar 7, 8, 10 bilhões de pessoas, muitas sem trabalho, por não haver postos de trabalho ou pela enorme defasagem de conhecimento e adaptabilidade entre os robots e nós, seres humanos.  O imposto que você pagar por seu consumo, propriedade ou renda vai sustentar seu vizinho, que não trabalha, pois sabe fazer nada que o mercado deseje. Então, precisamos repensar a vida, nossos valores, e pensar o que fazer com nossos filhos, netos e bisnetos. Se considerarmos que o planeta agoniza por causa de nosso consumo excessivo, talvez seja hora de reduzirmos nosso consumo de roupas, embalagens, bugingangas eletrônicas, papel, metais etc. Mas, sabemos, diminuir o consumo implica em reduzir a produção, extinguir empregos.  Talvez por isso estejamos temero...

Ad astra per aspera

Tenho tentado, ao longo dos últimos anos, manter relações de boa qualidade com mulheres inteligentes, onde a gente se encontre para partilhar o prazer de conversar, estar juntos, partilhar eventos, viagens curtas e, claro, namorar. Cada qual no seu pedaço, mantendo uma relativa independência: "Mas na manhã seguinte, não  conte até 20..." Brincadeirinha... Gosto da relação em que não sou "dono" da mulher, mas em que tenha que mantê-la interessada na continuidade da relação. Isso não significa submissão, mas propósito. Eu desejo a sua companhia e luto por isso. Mas, confesso, não tenho sabido ser o que propugno. Ou não teria perdido a companhia das maravilhosas mulheres que andaram ao meu lado, nestes últimos 20 anos. Ouvi uma especialista em mulheres acima de 90 anos dizer que todas se dizem libertas quando seus maridos morrem, não porque não os amassem, mas porque as impedia de terem a si próprias como seu interesse principal. Sós, se dedicam ao cuidado de si, ao pr...