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Mostrando postagens de julho, 2019

Imigrante sofre...

Tenho dito aos meus amigos que Portugal é uma maravilha. Seguro. Bom serviço de transportes públicos. Mais barato que outros países deste velho e belo continente. Mas, de vez em quando a gente tem que lembrar que é estrangeiro em terra estranha! Saí hoje para caminhar, sol alto, 19 horas. 45 minutos depois, coletada uma boa foto, e ao cabo de um bom descanso na estação de trens retornei à moradia, passando antes num bom supermercado - o Continente. Vi, logo na entrada, uma caixa fechada, com uma bicicleta dentro e por fora várias etiquetas, uma das quais dizia: "Desconto bicicleta venda em caixa". Pedi ajuda na seção de Apoio ao Cliente e a atendente disse que a seção de bicicletas estava fechada. O gerente estava próximo, percebeu, e chamou a atenção da atendente, que chamou um empregado para me atender. A postura do atendente era de "chefe". Nariz empinado, nem perguntou  o que eu queria, ape...

Violão amigo!

Morro de inveja de quem toca violão. O violão não é um objeto. É um amigo fiel. É  como um cão. Você pode não ligar muito para ele. Mas basta um chamado, um toque, e ele está pronto. Nelson Gonçalves, em Dilema, o chamou de "amigo dileto" e chegou a afirmar: - Sem ti, não posso viver!" O violão se presta, tanto para o choro, quanto para o riso. Tanto para a partitura, quanto para o improviso. E serve, também para o riso. Assisti, em Barcelona, no belíssimo Palau de la Musica, em um divertidíssimo espetáculo, uns 6 músicos tocarem, no mesmo instrumento, o Bolero de Ravel! Mas se Deus me deu algum talento, negou-me o da música. No máximo, desafino pouco, quando me atrevo a soltar o peito, para desespero dos vizinhos, cantando essa linda e doída letra, relembrando o grande Nelson: Dilema Violão, eu estou tão sozinho  Sem amor, sem carinho  Solitário ...

Caminhando para ser feliz

Tem hora que a gente precisa olhar para o horizonte e se perguntar até onde ir, onde se quer chegar e como se quer caminhar. Todo mundo quer ser feliz. E isso implica em seguir em frente, em busca do sonho, ou melhor, da realidade sonhada. Quando chega a maturidade, já não se quer ser rico, nem famoso, nem invejado. Isso são sonhos da juventude. Mas todo mundo quer ser amado. Ou, pelo menos, se saber amado. Saber-se amado é condição para ser feliz. Mesmo só, mesmo longe, é preciso saber-se amado. O soldado, na guerra, apega-se a uma foto da mulher, da família, do lar, para saber que tem para obde voltar, para quem voltar. Amyr Klink, no seu barco, solitário, isolado, distante, rodeado pelo silêncio, não se desesperava. É preciso ter um porto, uma casa, uma cama pode se possa recostar e se sentir acolhido. E é preciso ter companhia. Não se vive só para si. É preciso ter um destinatário do afeto...

Sessentando

Os anos 40 sao importantes? Os anos 60 são muito mais importantes. Nos 40 a gente olha para a frente e para o alto. Nos 60 a gente foca a vista, também,  para a frente e para o alto; e para trás e para baixo. A gente espia para os lados. E entreolha em diagonal. O detalhe é importante. A visão do outro importa! O jovem se aconselha, mas também nos ensina.  As dores, já não são tanto agudas. São mais suportáveis. Então pra que gemer tanto! E  reclamar, pra quê? A morte virá mesmo... temos certeza! Então os sessentanos serve para fazer a contabilidade da vida que passou e fazer as provisões necessárias para os desconfortos de adiante. A aposentadoria indecente, o reumatismo, a secura das partes, o ouvido sem passarinhos, mosquinhas nos olhos, o peito arfando por qualquer não sei o que... É hora de colher os frutos da velhice. Os frutos mais baixos, que já não é ...

ICMS 10, uma proposta para simplificar o ICMS

ICMS 10, uma proposta para simplificar o ICMS César Fonseca* Nos anos 60 a inteligência nacional e a inventividade dos brasileiros importaram da Europa e adaptaram para o Brasil um imposto do tipo IVA, (ICM), ideal para a tributação de mercadorias destinadas ao consumo, por ser não cumulativo, dando-lhe uma versão adaptada para um país de constituição federativa, sem prejuízo para a “costura” da Federação brasileira. Desde então os estados e o Distrito federal têm distorcido essa formulação, originalmente boa. Em 2007 publiquei uma proposta para reforma do principal imposto estadual (ICMS), sem envolver a União e os municípios, a partir de dez mudanças básicas. Retomo o tema, agora, quando a reforma da matriz tributária brasileira volta a se revelar um tema em discussão no novo cenário político que se estabelece com a substituição da Presidente da República. Partindo do pressuposto de que a reforma tributária no Brasil se fará por etapas, e que não caminhamos ainda, com rapide...

Aproveite a sua vida!

Aqui em Quinta do Conde, Portugal, são 6:30, não sei porque acordei cedo, mas aproveito para falar sobre um assunto, que não domino inteiramente mas acho que cabe a pena falar sobre ele com vocês. Ha alguns dias uma amiga dileta me convidou para ver seu apartamento e quando eu a lembrei que eu já o tinha visto, uma sombra de estranheza desceu sobre o seu rosto. Não creio que isto a deva preocupar muito, pois tem uma mente permanentemente cheia de idéias, de novidades etc. Mas, tendo lido sobre as estatísticas do Alzheimer e sobre a nossa capacidade de viver muito mais que nossos pais, provoco a atenção de todos os meus amigos e amigas para a necessidade de acendermos áreas apagadas de nosso cérebro e ativar outras adormecidas, para garantirmos uma aproximação mais saudável do nosso fim. Fim? E isso é lá conversa que se tenha com alguém? É, sim! Quando a gente ama a gente cuida... Cuida do p...

Bobagens

"Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura." (...) "Sou do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se refletem nele, e, assim, em certo modo ali estão. (...) "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica-me sendo a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer." Nos excertos acima, do Livro do Desassossego, Fernando Pessoa, por seu heterônimo Bernardo Soares e citando outro - Caeiro - mostra-nos que a sensibilidade do poeta transcende sua materialidade corporal e intelectual para, poeticamente, revelar que sua alma se estende na contemplacão do Universo, para além da realidade circundante, para além de "toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida." Assim, n...

Desassossego

Sonho o que sonha o Poeta: "Ter o que me dê para comer e beber, e onde habitar, e o pouco espaço livre no tempo para sonhar, escrever, dormir - que mais posso eu pedir aos Deuses ou esperar do destino?" Mas, onde o talento? Só me asssemelha o desassossego. Não me desespero. O caminho será longo e duro. Mas por quê esperar algo do destino ou de deuses. Não é a vida, em essência, uma viagem, sem começo e sem fim? Descrevê-la, é, por si só, viver-lhe um trecho.