O Crente
Há muitos, um Domingo pela manhã, eu estava viajando por uma região de fazendas de cacau, quando vi um homem, senão bem velho, muito desgastado, pele curtida, corpo encurvado, vestindo um terno muito bem limpo e passado a ferro, creio que até engomado. O velho caminhava lenta, mas firmemente, por um caminho de roça, um tanto íngreme. Levava uma bíblia na mão direita. Pensei, naquele momento, que os evangélicos cresciam absurdamente naqueles anos porque propiciaram a homens como aquele, vestirem um terno, uma vez por semana, com gravata e tudo. Imaginei aquele senhor, de frente de um espelho quebrado, se vestindo de cidadão. Isso! Vestindo-se de cidadão... D e segunda a sexta ou sábado, ele era um escravo do capital. Trabalhava a duras penas para fazer o patrão ficar e permanecer rico. Mas Domingo, ah! Domingo era dia de ir à igreja, de ser chamado pelo seu nome de batismo e não por um apelido. Ali não era Zé, Jão, Mané... Ali era sr. José do Carmo dos Santos. Sr. João Nepomucen...