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Mostrando postagens de agosto, 2021

Carta ridícula

Alguém, muito especial, me asseverou que Fernando Pessoa disse que "todas as cartas de amor são ridículas".  Eu queria (tanto!) escrever cartas  incrivelmente ridículas. Mas... pra quem? Papai Noel? Não o vejo tão gordo há 65 anos! Para Deus? Não acho o endereço, por mais que o procure! Para os amigos? Mas amigos já não tem endereços físicos, só virtuais!  Talvez deva escrever uma carta de amor. Daquelas dos livros vendidos em bancas de jornais. Cheias de frases belas, com elogios falsos, mas tão desejados e bem acolhidos! Mas pra quem? Pra a musa que inspirou  um amor tímido e secreto da adolescência? Nem sabe que eu a amei! Para uma mulher que sabe que eu a amei? Já não se importa, iria para o lixo... Talvez eu deva mandar uma carta de amor para mim. Sim, para mim. E esperá-la ansiosamente! E dizer-me, nela, quanto eu me amo. A mim, tão desprezado! Mas eu sou tão importante para mim!!! Sério! Gosto de mim! Da minha cara feia, da minha barriga gorda, do meu pinto, a...

Seu Manoel

Todos os dias, pela manhã, Seu Manuel vem, com passo miúdo e ligeiro, abrir o pequeno restaurante que mantém  na esquina defronte da grande praça de terra batida onde, em sábados alternados, se reúnem comerciantes de roupas, panos e utensílios de uso doméstico, ferragens, plantas, temperos, frutas etc.  O nome da ruela  por onde Seu Manuel chega apressado é Beco Sem Nome. É exatamente o que consta em placa tosca, afixada em um postezinho, como que a avisar aos incientes que não adianta perguntar pelo nome do pequeno pedaço de rua. Nessa pequena Freguesia portuguesa de Quinta do Conde, onde além dos nomes das ruas, se registra nas placas a que categoria pertence o dono do nome, como Fulano de Tal, Jornalista, ou Beltrano, Político ou, ainda, Cicrano, Lutou na Guerra da Independência é estranho uma rua, mesmo curta, sem um nomezinho qualquer. A praça, defronte, tem nome, mas ninguém se preocupa em descobrir, pois todos sabem que é o local da feira de sábado da Freguesia....

Filosofia. Democracia - III

A Democracia tal como gestada e exercitada na Grécia, permitia a manifestação direta dos cidadãos aos quais se permitia votar. Mas se tratava de cidades onde os eleitores - uma minoria de "bem nascidos", eram todos conhecidos de todos. com o crescimento das cidades e com a formação de estados nacionais, o modelo já não era exequível, daí porque se desenvolveu a forma de Democracia Indireta, na qual o povo se faz representar para o exercício de sua soberania. Ou seja, o representante não tem o poder soberano, mas a representação desse poder, inalienável, que é do povo.  A História nos tem mostrado que a representação nos regimes supostamente democráticos tem sido substituida pela aquisição de poder pessoal pelos representantes, em detrimento do exercício do poder dos eleitores. No Brasil temos testemunhado a eleição de pessoas que não seriam normalmente eleitos, mas o foram por força de serem arrastados pela votação muito grande de um dos candidatos. Disso resulta que o corpo ...