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Mostrando postagens de dezembro, 2024

17 anos!

"Não sei se alguma vez tiveste 17 anos. Se sim, deves saber que é a idade em que a metade do homem e a metade do menino formam um só curioso." Bento Santiago, em Dom Casmurro, de Machado de Assis. Em 1968 eu passei por esse tumulto emocional. O que eu era, um menino ou um homem? Na dúvida, me alistei no Tiro de Guerra e depois não fui lá. Ir pra tomar esporro do Sargento, como meu irmão Ataíde relatava? Fui não. E só me pegaram já aos 20 anos, em Salvador, em 1971. Aí, quando já de   cabo para cima, comandei grupos de soldados para fazer vigilância de vários quartéis, enquanto os colegas antigos iam à região de Barreiras caçar o traidor do Exército, ex-Capitão Carlos Lamarca. A realidade de prestar o serviço militar durante o período de enfrentamento da guerrilha urbana, me fez homem de fato. Mas, de volta aos 17, minha heterosexualidade então se manifestava, ainda meio tímidamente, contido pela religiosidade inibitória protestante. Mas já mostrava que era cabra macho, com al...

Egoísmo e Cooperação

Li na página de Aninha Franco, sempre excelente, uma idéia em que acredito, contida em uma frase de Blaise Cendrars, Suíça (1887 a 1961):  "Sem a ajuda do egoísmo, o animal humano nunca teria se desenvolvido. O egoísmo é a videira pela qual o homem se elevou do pântano e escapou da selva."  Isso me parece absolutamente verdade. E explica porque somos naturalmente capitalistas.  O Capitalismo é próprio do ser humano. Todos nós, desde sempre, para a nossa própria sobrevivência ou para a sobrevivência, segurança e crescimento do grupo familiar, da tribo, fazemos acumulação de bens, para consumo próprio ou para troca com outros grupos. Não fosse assim, viveríamos como animais, vivendo e sobrevivendo da coleta do que a natureza nos oferece. O Comunismo, na visão de um idealista beberrão, incompetente para administrar a própria vida e a vida da família, escritor confuso, dependente de um burguês capitalista - Engels - que o usou por pelo menos 19 anos, é uma utopia que desconhe...

Café da manhã

Ao abrir o Facebook nesta madrugada de meados de Novembro, li a frase mil vezes repetida: "Em que estás a pensar?" Sim... o que eu estava a pensar nesta madrugada fria de fim de Outono, que prenuncia um Inverno rigoroso na Grande Lisboa, tradicionalmente o tempo de refrescar os casacos frios e quase mofados pela longa espera, recolhidos aos fundos dos armários e guarda-roupas? Pensava em meus tempos de menino! Se eram tempos bons ou ruins? Quem sabe? Enquanto os adultos viviam e os idosos sobreviviam, nós meninos não tínhamos consciência do processo. Abríamos os olhos e aos poucos entrávamos em modo alerta. Um bocejo, uma espreguiçada e os ouvidos iam captando os sons de sempre: o galo atrasado, os passarinhos das espécies ja adaptadas ao meio urbano. Um rolinha 'fogo apagou' ali, um bem-te-vi acolá... Se o tempo estava firme ia ao quintal urinar, que a 'casinha' já estava ocupada pelas meninas, sempre demoradas, sabia-se lá por que. Menino, à falta do que faz...