17 anos!

"Não sei se alguma vez tiveste 17 anos. Se sim, deves saber que é a idade em que a metade do homem e a metade do menino formam um só curioso." Bento Santiago, em Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Em 1968 eu passei por esse tumulto emocional. O que eu era, um menino ou um homem? Na dúvida, me alistei no Tiro de Guerra e depois não fui lá. Ir pra tomar esporro do Sargento, como meu irmão Ataíde relatava? Fui não. E só me pegaram já aos 20 anos, em Salvador, em 1971. Aí, quando já de cabo para cima, comandei grupos de soldados para fazer vigilância de vários quartéis, enquanto os colegas antigos iam à região de Barreiras caçar o traidor do Exército, ex-Capitão Carlos Lamarca. A realidade de prestar o serviço militar durante o período de enfrentamento da guerrilha urbana, me fez homem de fato.
Mas, de volta aos 17, minha heterosexualidade então se manifestava, ainda meio tímidamente, contido pela religiosidade inibitória protestante. Mas já mostrava que era cabra macho, com algo roxo, solto.
Também foi pelos 17 anos que o TDAH comecou a dar sinais mais fortes. Os vícios, os desarranjos laborais e no curso ginasial, atrasaram minha formação com sérios danos para toda a vida.
Por essa época me apaixonei duas vezes. Uma sem sucesso, por uma prima. A outra com tanto apreço, que até hoje me deixa saudoso. Gostaria de saber o que aconteceu com a musa inspiradora, que desapareceu (ou fui eu que sumi) depois que abandonei Vitória da Conquista e vim ser homem na Capital.
Se algum dia a encontrar dir-lhe-ei: - Escondi de você o grande amor que lhe dediquei! Fugi, mas não a esqueci!

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