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Mostrando postagens de novembro, 2025

Viver na Grande Lisboa - Um privilégio

Me dei conta de que estava relaxando os cuidados com o corpo. Vesti uma camiseta e um short e saí, célere, a caminhar para o ginásio onde praticava meus exercícios. As ruas estavam com pouco movimento e só então percebi que era Domingo e estava tudo fechado. Coisas da idade que avança, implacavelmente para o futuro. Já estava na rua, então resolvi caminhar até a estação de trem para comprar meu cartão de navegante  o que me dava o direito de circular, durante o mês que se iniciava, por até 28 sítios da Grande Lisboa, usando comboios (trens), auto carros (ônibus), barcos, enfim, todo e qualquer equipamento da infraestrutura de transporte público.  Depois de 40 minutos de caminhada rápida, na estação, cartão comprado, fui dar um passeio de comboio até o fim da linha, no bairro de Roma/Areeiro, região central da bela cidade de Lisboa. Achei interessante que o bairro tem um none duplo: Roma, por causa da Av. de Roma, estratégia mercadológica de associar Lisboa a iutras capitais E...

Fazenda Mansão

Passei pela Serra do Espinhaço, no Município de Maracás, na Bahia, lá pelos anos 60, com meu pai, a caminho de uns 500 hectares de terra (255 titulados), que ele ganhara de presente de um dentista prático, com quem tentara aprender a arte de "protético". Terra tórrida, onde nem passarinhos sobreviviam. De umbu em umbu caia uma chuva e formava-se um córrego que deixava umas poucas poças d'água, onde as aves de arribação se dessedentavam e, como era da sua natureza, logo arribavam para sítios melhores. O que se via verde ou era um periquito extraviado ou a ponta de uma aroeira que se negava a morrer. Para chegar à roça era preciso pousar primeiro numa antiga casa de fazenda, pertencente a um senhor muito idoso, o sr, Eloy, que resistia à beira da estrada, a 6 léguas de Maracás, junto da única lagoa permanente, a de Pé do morro, água que partilhávamos com o gado, eu, ainda um meninote.  O velho Eloy contava ter saído dali, a cavalo, 50 anos antes, para uma visita à cidade de...

A miscigenação é o futuro?

O filósofo Norberto Bobio  apontava que o futuro da humanidade seria a miscigenação. Bobio não viveu para ver a  transumancia  de humanos que aflige, nesta década, os estados nacionais Europeus e os Estados Unidos da América. Mas intuiu que no futuro não haverão raças distintas, apenas a raça humana.  O termo transumancia traduzia o ato de passar o inverno noutro lugar, e ainda mantém o significado de migração periódica de rebanhos e de pessoas para locais com melhores condições climáticas ou de trabalho. Hoje, no entanto, a migração temporária de humanos tem se transformado em permanente, podendo caracterizar-se, talvez, em movimentos estimulados por razões de geopolítica. Observo que a Europa está recebendo levas de pessoas de grande diversidade cultural e em poucas décadas poderá haver em Portugal, como já se observa em outros países da Europa, uma superposição das culturas chinesa, indiana, africana e da América Latina e cada vez menor predominância da cult...