Viver na Grande Lisboa - Um privilégio

Me dei conta de que estava relaxando os cuidados com o corpo. Vesti uma camiseta e um short e saí, célere, a caminhar para o ginásio onde praticava meus exercícios. As ruas estavam com pouco movimento e só então percebi que era Domingo e estava tudo fechado. Coisas da idade que avança, implacavelmente para o futuro. Já estava na rua, então resolvi caminhar até a estação de trem para comprar meu cartão de navegante o que me dava o direito de circular, durante o mês que se iniciava, por até 28 sítios da Grande Lisboa, usando comboios (trens), auto carros (ônibus), barcos, enfim, todo e qualquer equipamento da infraestrutura de transporte público. 
Depois de 40 minutos de caminhada rápida, na estação, cartão comprado, fui dar um passeio de comboio até o fim da linha, no bairro de Roma/Areeiro, região central da bela cidade de Lisboa. Achei interessante que o bairro tem um none duplo: Roma, por causa da Av. de Roma, estratégia mercadológica de associar Lisboa a iutras capitais Européias; Areeiro era o nome que identificava a atividade mineral da área, a extração de areia para a construção de prédios. Saí a caminhar para o lado que neu bariz apontou. Adoro fazer isso. Caminhar sem um destino previamente definido, olhando para os prédios, as praças, parando aqui e ali para ver um montra (vitrine). Encontrei uma praça gramada com famílias fazendo piqueniques, mães levando crianças para tomarem sol, idosos caminhando. Pude perceber uma senhora, sentada ao lado de um homem, com a cara amarrada, a ouvi-lo explicar as vantagens do divórcio! Continuei a caminhar para o lado que o meu nariz apontava e, de repente, numa esquina vi, num prédio recuado, uma placa amarela com o nome Cine Pop. Fui ver o que era e descobri que era o prédio da Câmara do municípal, com um cinema e um simpático restaurante no rés do chão (pavimento térreo). Pode-se ver uma natoga máquina de exibir filmes em rolos! como se fazia nos anos 50/60. O cinema exibe apenas uma sessão, muito concorrida, aos Domingos, para exibição de filmes antigos. Eram 15:30 horas e me apressei em comprar um ingresso para a dita sessão, evitando a longa fila que se formaria antes do início da função, às 17 horas.
Continei meu passeio até um lindo templo católico onde funciona a igreja São João de Deus, e em seguida descobri uma loja de boas roupas de segunda mão, a preços convidativos. O tempo poderia esfriar e eu de bermuda e camiseta leves me dediquei a comprar uma calça tipo moleton, uma ótima calça Jeans e uma blusa meio longa de frio, que logo seria imprescindível para encarar o inverno que se aproximava. Voltei por cima do rastro para o cinema e para me livrar da sacola cheia de roupas, entrei no WC e as vesti, a calça sobre a bermuda, o moleton sobre a calça e a blusa sobre a camiseta. 
A sessão já andava a meio, mas consegui penetrar sem estardalhaço. Fiquei encantado com o filme, uma psicodélica história que misturava rock pesado, com uma grande e bela motocicleta pilotada por um dos músicos sobre o palco e que incluia o roncar do motor na loucura do som produzido pela banda! 
O filme, Rocky Horror (para os iniciados), uma extravagante sátira musical de filmes de terror da década de 1960, em que um casal de recém-noivos, Brad (Barry Bostwick) e Janet (Susan Sarandon), viaja à noite sob uma tempestade, quando um pneu furado os leva a buscar ajuda em um castelo da região. Um dos personagens, Dr. Frank N’ Furter (Tim Curry) é um “doce travesti da Transilvânia. O filme Rocky Horror, uma paródia, constitui, na verdade,  uma ode à liberdade e ao público LGBTQA+.
Pois, então, em um passeio sem destino, me vi imerso em um belo espetáculo, para o qual não estava preparado, mas que se revelou uma agradável surpresa, seja por ter descoberto um ótimo cinema, bem localizado, seja porque que nos premia com filmes antigos, bem escolhidos, em um horário bastante conveniente para quem mora distante, como é o meu caso. 
Voltando ao título, viver na Grande Lisboa é um enorme privilégio!

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