Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2025

A mulher no comboio

A balança do banheiro registrara, implacável, 110 Kgs, confirmando a já evidente obesidade, que teimava em não ceder, apesar dos jejuns intermitentes, da musculação, das caminhadas. Na verdade, Fictus andava meio fugido da academia, mas aumentara a frequência das caminhadas para 3 por semana,  A balança no banheiro registrara, implacável, 110 quilos, confirmando a obesidade manifesta, que teimava em não ceder. Fizera de tudo. Jejum intermitente, reduzira o bom vinho alentejano, quase não comia os deliciosos pães portugueses, chá disso e daquilo, caminhadas frequentes, mas nada da gordura derreter. Sentia-se um Sancho Pança, desejando ser o cavaleiro magro que acompanhava. Não voltara à musculação, mas caminhava uma a duas horas por dia, três vezes por semana. Mesmo se caminhasse todos os dias, não iria parecer um carteiro, pois não é comum um carteiro gordo. Talvez devesse aumentar a distância percorrida  Decidiu-se pelas duas iniciativas: caminhar mais vezes e por maiores per...

As casas da Rua da Estação

Não me lembro da casa onde nasci. Dela sei muito pouco, o que me contaram. Sei que era ao mesmo tempo agência dos Correios e residência de nossa família. Mas me lembro da terceira e quarta casas, que serviram de ambiente geográfico para minha infância. A primeira, uma casa de telha vã, sem forro, mas que estava voltada para a estação de comboios, onde me esbaldava de brincar. Tomava carreiras do gordo vigilante das linhas do trem, pois eu tentava descarrilhar a composição colocando pedras junto aos trilhos e mexia com a "agulha" para desviar a composição de seu caminho. Lembro, também, da velha bicicleta Merckswiss, quebrada, encostada à parede, onde eu construía meus sonhos. A outra casa já me encontrou mais rapazinho, já olhando as meninas da escola, já tendo meus primeiros sentimentos de amor juvenil, de construção do que fui ao longo da vida. Adorava ficar no hall de entrada em dias de chuva, a ver os imensos relâmpagos nas serras em volta, talvez por ser uma província co...

Passeio à Lua Cheia

O Sol fala ao nosso corpo. A Lua conversa com a nossa alma. Pensando nisso, atrevi-me a participar da Caminhada da Lua Cheia na Serra da Maúnça, próxima à cidade de Leiria. No anúncio referenciava-se uma "tranqüila caminhada noturna de pé posto nas encostas da serra". E mais, ao descrever o trajeto, constava que ",,, descemos a serra num surpreendente percurso." Surpreendente foi pouco. Realmente a caminhada foi interessante pois, apesar das muitas nuvens, partimos com a Lua já lindamente acesa, da Capela da Senhora do Monte, mandada construir por um mercador, agradecido por um milagre.  De início, os caminhos eram de fácil acesso, bem iluminados, até vermos os contornos da Serra dos Candeeiros, aldeias e, mais ao longe, Leiria, toda bem iluminada. Em seguida, começamos a "via crucis".  A descida da encosta percorria um trilho estreito, íngreme, molhado e escorregadio. A lanterna presa à testa e o bastão de apoio me ajudaram a permanecer de pé até que uma ...

Passeio à tarde.

Conferi o tempo. Sem chuvas. O sol fraco do inverno português é confortável. O relógio marcava 16h45min. Verifiquei os bolsos, telemóvel carregado, carteira com dinheiro e documentos, inclusive o cartão de navegante idoso. Pensei como é libertador para pessoas com mais de 65 anos poderem viajar daqui para ali e acolá, o mês inteiro, apenas validando o cartão nas maquininhas das estações, dos comboios metropolitanos dos autocarros, barcos... por 20 contos, como diria minha avó, na minha meninice. As pessoas já estavam retornando para suas casas, o vagão já meio ocupado, não consegui, logo dw início, um lugar à janela. À minha frente sentara-se uma senhora, aparentemente portuguesa, com uma postura elegante, um certo toque inglês. Era o cair da tarde e a luz do sol iluminava nossos rostos, de modo que nos víamos refletidos.nos vidros das janelas, gerando um.certo incômodo. Ao olhar para fora em ângulo de 45⁰, nossos olhares, meu e da senhora colidiam, como se estivéssemos nos olhando nos...

Meti-me a escritor!

Meti-me a escritor! Não escondo que já cometi mais de uma centena de pequenos  pecados literários, crónicas, poemas, canções. Mas agora os farei tentando aplicar, aqui e ali, uma técnica, um ensinamento, uma recomendação profissional. Esse zoom na minha caminhada de encadear frases começou, hoje, 1⁰ de fevereiro, numa plataforma digital. 14 alunos e uma bela professora. Que Fátima a proteja e conserve! Não precisava ser bela, pois quero me apaixonar pela arte da escrita e não pela mestra.  Primeiro exercício, " - Escreva o que lhe vier à cabeça!"  Como? O que me vier à cabeça? Que risco, meu Deus! Minha cabeça é uma usina sem ordem, sem ritmo, sem controle! Rhummmm... mas a idéia era essa! O tempo, 5 minutos, me pareceu uma eternidade e nada me ocorria. Fiquei em palpos de aranha, seja lá o que esse velho ditado queira dizer. Tentei escrever meia dúzia de frases e  ao final do tempo nada tinha para mostrar. Fiquei impressionado com a capacidade dos outros alunos que ...