As casas da Rua da Estação
Não me lembro da casa onde nasci. Dela sei muito pouco, o que me contaram.
Sei que era ao mesmo tempo agência dos Correios e residência de nossa família. Mas me lembro da terceira e quarta casas, que serviram de ambiente geográfico para minha infância.
A primeira, uma casa de telha vã, sem forro, mas que estava voltada para a estação de comboios, onde me esbaldava de brincar. Tomava carreiras do gordo vigilante das linhas do trem, pois eu tentava descarrilhar a composição colocando pedras junto aos trilhos e mexia com a "agulha" para desviar a composição de seu caminho. Lembro, também, da velha bicicleta Merckswiss, quebrada, encostada à parede, onde eu construía meus sonhos.
A outra casa já me encontrou mais rapazinho, já olhando as meninas da escola, já tendo meus primeiros sentimentos de amor juvenil, de construção do que fui ao longo da vida. Adorava ficar no hall de entrada em dias de chuva, a ver os imensos relâmpagos nas serras em volta, talvez por ser uma província com muito manganês.
Acima de tudo, lembro de minha mãe, uma extraordinária mulher, uma educadora nata.
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