Passeio à tarde.
Conferi o tempo. Sem chuvas. O sol fraco do inverno português é confortável. O relógio marcava 16h45min.
Verifiquei os bolsos, telemóvel carregado, carteira com dinheiro e documentos, inclusive o cartão de navegante idoso. Pensei como é libertador para pessoas com mais de 65 anos poderem viajar daqui para ali e acolá, o mês inteiro, apenas validando o cartão nas maquininhas das estações, dos comboios metropolitanos dos autocarros, barcos... por 20 contos, como diria minha avó, na minha meninice.
As pessoas já estavam retornando para suas casas, o vagão já meio ocupado, não consegui, logo dw início, um lugar à janela.
À minha frente sentara-se uma senhora, aparentemente portuguesa, com uma postura elegante, um certo toque inglês.
Era o cair da tarde e a luz do sol iluminava nossos rostos, de modo que nos víamos refletidos.nos vidros das janelas, gerando um.certo incômodo. Ao olhar para fora em ângulo de 45⁰, nossos olhares, meu e da senhora colidiam, como se estivéssemos nos olhando nos olhos. Era como se estivéssemos a "pegar sério", a brincadeira infantil com que todos nos divertíamos na infância. Ora a senhora desviava o.olhar, ora eu o fazia.
Aproveitando que.ela estava olhando.para fora, pude firmar minha atenção diretamente em seu rosto. Teria uns sessenta e poucos anos, magra, com sulcos bem marcados nos lábios. Sem bigodes, cabelos bem penteados, parecia cuidar-se bem.
Depois de passarmos por algumas estaçõesela se levantou e rapidamente deixou o comboio. Despertou-me a simpatia. Se num outro dia a encpntrar, dir-lhe-ei um Bom dia! ou um Boa tarde! Sem afetação. apenas sendo gentil.
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