Egoísmo e Cooperação
Li na página de Aninha Franco, sempre excelente, uma idéia em que acredito, contida em uma frase de Blaise Cendrars, Suíça (1887 a 1961):
"Sem a ajuda do egoísmo, o animal humano nunca teria se desenvolvido. O egoísmo é a videira pela qual o homem se elevou do pântano e escapou da selva."
Isso me parece absolutamente verdade. E explica porque somos naturalmente capitalistas. O Capitalismo é próprio do ser humano. Todos nós, desde sempre, para a nossa própria sobrevivência ou para a sobrevivência, segurança e crescimento do grupo familiar, da tribo, fazemos acumulação de bens, para consumo próprio ou para troca com outros grupos. Não fosse assim, viveríamos como animais, vivendo e sobrevivendo da coleta do que a natureza nos oferece.
O Comunismo, na visão de um idealista beberrão, incompetente para administrar a própria vida e a vida da família, escritor confuso, dependente de um burguês capitalista - Engels - que o usou por pelo menos 19 anos, é uma utopia que desconhece essa natureza egoísta do ser humano. É o egoísmo que nos faz nos afirmar e crescer como indivíduos e como grupos familiares.A nossa dimensão moral, a nossa razão, nos informa sobre a importância de nos apoiarmos mutuamente para a segurança e o crescimento, de tal modo que administramos nosso egoísmo para que ele seja suficiente para nos enriquecer sem destruir a capacidade dos demais de fazerem o mesmo.
É certo que há patologias sociais que revelam pessoas em que o egoísmo extrapola todos os limites e a pessoa se torna absorvedora da riqueza alheia e até da sua destruição. Mas se observamos a organização das economias entendemos que a competição não deve anular a cooperação. Cooperar é essencial para a vida econômica. O capitalista não opera sozinho. Ele opera com outros. O padeiro opera com a família ou com operários. O açougueiro, idem. O fabricante de automóveis, navios, aviões, armas etc. também. Houve tempo - e ainda há - que o capitalista se apropriava do trabalho de pessoas escravizadas. A razão, não os valores morais, foram determinantes para a evolução da escravatura para a cooperação entre capitalistas e fornecedores assalariados de trabalho.
Estejamos atentos para o fato de que a remuneração muito baixa, com a absorção quase total da mais-valia pelo empregador capitalista, pode caracterizar uma forma moderna de trabalho escravo. A cooperação entre os empregados pode ser a forma de oferecer resistência à moderna exploração escravista. Infelizmente, o modelo de associações entre os trabalhadores os tem submetido a estruturas sindicais que representam uma camada a mais de exploração das massas de trabalhadores.
Comentários
Postar um comentário