Conceitos do cotidiano

Discutindo, em grupo, sobre alguns conceitos do cotidiano, me detive um tanto sobre os conceitos de Palavra, Escrita, Escuta, Amizade e Morte. 

Do ponto de vista puramente formal, dicionarizado, a Palavra é o menor elemento linguístico, com conteúdo semântico ou pragmático. É um conjunto de letras ou sons representativo de uma ideia, ou de um pensamento, que constitui uma unidade da linguagem humana.

Humana, eu disse?

Já não podemos nos restringir ao modo histórico, comum, de escrever e sonorizar a escrita como único, ou mesmo, principal de modo humano de nos comunicarmos, posto que a linguagem será, em breve, criada e modificada pela Tecnologia da Informação - TI. 

A idéia, de longa data abandonada, do Esperanto - língua de todos os povos, poderá ser, afinal, implementada, como uma linguagem universal, um conjunto de palavras por todos conhecidas e capaz de estabelecer a comunicação entre todos os seres humanos e entre todas as máquinas? Penso que não. O que nos sobrevêm a todo momento são formas diversas de comunicação. E teremos que dominar algumas delas, ou seremos isolados do convívio dos grupos. Dentro em pouco será comum a tradução imediata da voz humana entre qualquer língua e a língua de escolha do ouvinte. O que envolve um risco, o de deixarmos de nos interessar pelo domínio de várias línguas, um grande estimulador de funções cerebrais. 

Não acho que se deva fazer acordos ortográficos gerais. Penso que a cultura é mais importante do que os formalismos engessadores da Língua. De repente, na Bahia, ouço de alguém: 

- "Quenrai, ramo...", significando "- Quem vai? Vamos!"

Não há, nem haverá, acordo ortográfico para o modo de falar comum. Os acordos se prestarão, portanto, em geral para os documentos, as escrituras de conteúdo técnico, com valor jurídico, oponível para proteção de direitos e exigência de obrigações..  

Quanto ao vocábulo Escrita, penso que que merece a seguinte consideração. Em princípio, o que pode ser escrito, deveria ser "escritável"; e o que pode ser escriturado, escriturável. 
Quem escreve, exerce uma arte, quem escritura, descreve, circunscreve, delimita. A escrita é, portanto, um instrumento para registro livre do pensamento. A escritura, o registro preciso do imposto ou do acordado. 

Pensar já é, de certo modo, escrever mentalmente, posto que tudo que pensamos codificamos em sinais que podem ser escritos. Mesmo quando fazemos música, associamos a cada som um sinal escritável,  compreensível, para nós e para comunicação a terceiros. Quando falamos, dizemos algo, os sons que emitimos, os fonemas, refletem códigos compreensíveis por terceiros. Assim, ao nos comunicarmos, usamos um código implícito, em palavras ou em outros sinais que podem ser "escritos" na mente de outros. É o caso, quando tocamos um piano, por exemplo, transmitimos sons que trazem implícitos os códigos correspondentes. Ao dedilhar dó, ré mi, fá, fá, fá..., quem nos ouve, "lê" mentalmente as notas musicais e já antecipa a "leitura" do que está por vir: dó, ré, dó, ré, ré, ré... dó, sol, fá mi, mi, mi, do, ré, mi, fá! Eu vi uma barata na careca do vovô!...

Me escutem... Escutar não é, apenas, ouvir. Escutar é ouvir com o coração, com empatia, com generosidade. Escutar envolve uma atitude de ouvinte atencioso, que faz o outro a quem fala entender que ele o quer ouvir. Envolve uma postura de acolhimento, de quem entende que o simples verbalizar das dores, as mitiga.
Escutar é uma forma de amar.

Outro conceito muito bem considerado e celebrado é o de Amizade. A Amizade é maior que o amor. Esse é egoísta, aquele é solidário. O amor atende a nossas necessidades internas, nosso prazer. A amizade expressa, realiza, concretiza o amor que sentimos pelo outro. No amor o objeto é interno, é voltado para dentro. A amizade tem por objeto o outro. O amor cobra, a amizade oferece, é gratuita, é sem preço.

E da Morte, que dizer? Morte, que és?

A morte é começo. E é, também, fim! É postergável, mas é definitiva. É incontornável, é certa. Pode ser desejada ou não. Pode ser invocada, pedida, provocada, infligida, ou auto infligida.
Se é começo, ou recomeço, a morte é passagem... Para o que? Para o espírito? E para onde leva? Ao purgatório, aos infernos ou aos céus?
Penso que a morte é a perda da força que mantem o desenho divino, ou natural. Não somos sólidos, nada é sólido, tudo é vibração! E cá nas minhas sinapses, tudo é luz. Vibração de ondas de luz. 

Mas o que mantém o nosso desenho, o desenho de tudo? O que nos mantém vivos? O que estabelece o diâmetro de cada pupila, os comandos dos softwares cerebrais, a capacidade de auto recuperação? 

E, pensando na Morte, será ela a perda da força eletro-magnética que propicia e regula a vibração do conteúdo de cada micro desenho e do desenho do todo? O desenho de funcionamento de cada átomo e de cada partícula sub atômica e o desenho do corpo inteiro?

Se és passagem, Oh! Morte, querida... Vem sobre nós?

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