Carta pra Isabel

É de verdade, Isabel? Ou invencionice desse povo da Bahia? Tenho pra mim que neguinho, quando não aumenta, inventa. Conta até caso que nem aconteceu. 
Tu acha, mesmo, que Caymmi ia escrever uma carta desse tamanho? Só se Stela, que é boa de ajudar, escreveu pra ele assinar em baixo. E ainda botou um xis pra ele nao ter que botar os óculos no nariz. 
Mas que tem o jeito dele, lá isso tem. Minas não estragou o jeito dele falar não. E guardou a fé, ele que é das águas de Yemanjá. 
Por fala em manjar, qual foi o de comer de ontem? Uma moqueca de marisco, foi? Aqui pra essas bandas o dendê não presta muito não. Parece que eles misturam com azeite de oliva que sobra da expremedura.
Quando for ai, pra a novena de Santo Antonio, e pras festas de São João e de São Pedro, vou em Acupe de Santa Amaro buscar dois tostões de flor do azeite, tirado e expremido na hora, pra eu ver que nao tão botando óleo de soja ou de milho, pra render.
Obrigado, Isabel, pela carta do moço. Já, já, me encontro com ele e pergunto: - Foi tu mesmo, que escreveu, Caymmi? Me engana, que eu gosto... foi Stela, num foi? Re! Re! Re...

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