Diálogos imaginários - I
(Tum... tum...)
‐ Oi, Zeca! É o Ciro.
- Oi... Que Ciro?
- Ciro Gomes, porra! Chama teu pai aí. Quero falar com ele.
- Oi, bicho. Diga aí.
- Zé, a gente tem que ser estratégico, porra. Tô falando contigo, porque essa é tua praia.
- Imagina que Lula tenha um AVC fulminante, um infarto, ou que a cachaça coma o cérebro dele. Ou que a porra do avião caia... Seja lá o que for, o que vai acontecer no dia seguinte?
- O de lei, né, Ciro? Uma disputa interna pela liderança. Cada um achando que é o dono da cocada preta. Mas eu cuido disso... Levantou a cabeça fora de hora, eu corto, porra! Eu tenho as rédeas, você sabe!
- Sei! Por isso te liguei. A eleição acabou. Haddad se fudeu e a gente tem que planejar o futuro. Em 22 a gente tem que retomar essa merda, ou vamo encolher, caralho!
- Sim... mas essa conversa toda é pra me dizer o que? Que você é o cara?
- Zé, vamos ser estratégico... A gente não pode deixar o corpo esfriar. Depois que começar a batalha, a gente pode ter dificuldade pra arrumar casa.
- A gente tem que ter uma carta na manga, caralho! Rei morto, rei posto! E o poder não admite espaço vazio.
- Bom... não vou ensinar padrenosso a vigário.
- Mas, quem vai ocupar o lugar dele? Wagner? Ruy Costa? A gente tem que preparar alguém, caralho!
- Ciro, vamos pros finalmente, que eu tenho mais o que fazer, porra!
- Vamo botar o pé no chão: o Haddad tá queimado... é poste de madeira com cupim!
‐ Wagner tem liderança na Bahia; e uma coisinha aqui, outra ali. Mas não o suficiente pra agregar toda nossa militância, do Rio Grande à Roraima.
- E por que eu? Porque eu tenho dimensão nacional! Tenho liderança no Rio, em São Paulo, nos maiores colegios eleitorais.
- Eu quero continuar o trabalho que eu comecei na campanha. Vou bater em Lula todo dia, toda entrevista, de manhã, de tarde, de noite...
- Vou chamar de ladrão, safado, vagabundo, ditador, o cacete a quatro!
- Isso vai me dar tempo de mídia, vai manter minha visibilidade, caralho!
- Se acontecer uma fatalidade com o Lula, eu faço um discurso inflamado ao lado do caixão, faço cara de choro e pronto. Todo mundo esquece a briga que a gente teve.
- Mas isso tem que ser acertado agora, Zé!
- Sem teu aval, tô fora! Acerta com Lula!
- Tá, Ceará. Vou pensar!
(Clic)
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