Filosofia, Ontologia.
Filosofia, Ontologia.
O livro sagrado dos judeus nos diz que Deus proibiu a Sua criação (Adão) comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Daí, podemos intuir que a árvore do conhecimento, seria a Metafísica? Seria a alma destinada a conhecer apenas o bem, condição para a vida eterna?
Certamente morreremos, diz o Livro Sagrado. Mas o legado de Adão é, também, o de que o homem é ser filosofante desde seu nascimento. Já ao nascer busca conhecer o mundo à sua volta, em seus primeiros contatos físicos, por sua capacidade sensitiva em interação com sua percepção intelectual, vontade e inteligência, cooperando para a realização do mistério da vida.
A filosofia, para o filósofo judeu Fernando (Isaac) Cardoso, autor da da obra Philosophia Libera (Veneza, 1670), citado pelo historiador português Pinharanda Gomes, in Hstória da Filosofia Portugues - I A Filosofia Hebraico Portugues (Porto, !981), "... não se deve a nenhum povo em especial, nem mesmo aos caldeus, mas apenas ao primeiro homem, que foi posto em situação filosofante. Em Adão, Deus infundiu o conhecimento das coisas naturais e das sobrenaturais, ...".
Os filósofos pré socráticos buscavam explicar o Universo a partir de suas percepções das coisas e dos elementos, ou seja, por uma Cosmologia. Uns, os Monistas, partem do pressuposto de que o Universo surge a partir de um elemento fundamental. Os pluralistas entendem que o princípio fundamental das coisas é resultante da agregação de elementos fundamentais e o perecimento das coisas decorreria da desagregação dos elementos.
Parmênides contradita este entendimento porque acredita que o princípio de tudo é o Ser, não gerado, imutável, perene, eterno, sem passado e sem futuro, uno, perfeito, incorruptível, sem contradições. Explica que as percepções dos elementos decorrem de ficção, pois não há uma verdade explícita nas coisas, sendo cada percepção uma opinião, uma visão particular e não a verdade em si, ou uma opinião falaciosa, baseada na ilusão do que não é. Aliás, diz Isaac Cardoso que as cores não residem nos objetos, mas são efeitos de luz refracta, reflecxa, ac disposta, Ou seja, nada que vemos é, substancialmente, o que vemos.
Para Parmênides o Arché, o princípio motivador, somente pode ser captado pelo pensamento e não pelos sentidos. Ou seja, a Cosmologia deve ceder lugar à Ontologia. Por isso, talvez, em sua Ontologia, Isaac Cardoso, como diz o historiador português Pinharanda Gomes, embora tenha concluído que a mente humana, o primor, a perfeição e a lindeza cósmica, a harmonia universal, a vox naturae, os caracteres da profecia, atestam a existência de Deus, confessa: a alma é difícil de conhecer.
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