2120, a batalha final, virilha contra virilha!
Em 2120 ocorreu a batalha final. Sobremorreram apenas os Meticulosos da estação espacial planetária. A sobremorte era privilégio de muito poucos, cujo fim fora diferido para momento futuro, de escolha do sobremorrente.
A guerra tivera início com a propagação de um vírus letal cibernético, destinado a matar todos os equipamentos eletrônicos da face da crosta terrestre e das profundezas do mar, produzido e difundido por um algoritimo rebelde, com autossuficiência para governar-se a si mesmo, sem prestar contas às centrais de polícia cibernética. O ataque se estendeu aos drones, aos dirigíveis de bolhas de grafeno e Hélio, autoflys etc.Tudo que voava despencou, menos a estação e os satélites de órbita alta.
A reação dos Meticulosos fora imediata e global. Não conhecendo a origem da infestação, julgando ser obra dos Chíndios, o algoritmo rebelado abrira todas as caixas de Pandora das estações de produção de vírus e bactérias para as guerras, substitutas para as antigas armas de aço e explosivos, que matavam as pessoas e destruiam os muito valiosos prédios de vidro. Agora era possível dizimar populações inteiras sem destruir um imóvel sequer!
Meticulosamente os investigadores enfiaram os narizes virtuais e eletrônicos por todo o planeta em busca da origem da propagação dos virus e bactérias que estavam dizimando os Chíndios, a populacao substituta do homo sapiens.
Os Chíndios, fruto da mistura de sêmen e ovos de povos da Ásia e nativos da Amazônia, não tinham sido expostos previamente aos agentes biológicos letais e por isso não tinham capacidade de autodefesa. E não houve tempo para a Pfy desenvolver uma proteína de contra ataque que não causasse piocardite, doença paralisante do coração e dos pulmões de todos os animais, com ou sem razão. Morriam todos piando, produzindo o mesmo sub som dos autoflys de transporte aéreo individual, que faziam pio! pio! pio! pio! pio!...
A sorte é que esses novos vírus transformavam o sangue em pó e assim todos os infectados viravam múmias secas, em poucos minutos, sem qualquer fedor, o que permitia a retirada do lixo resultante para comporem os adubos fornecidos pelo poder central global Meticuloso.
Consultados os Méticos, médicos céticos, estes estavam completamente perdidos, pois não acreditavam em vacinas e proteínas desde o desastre de um século antes. Ouvidos os Médicos antigos, curandeiros sobremorrentes que tinham enfrentado a grande infestação global de um século antes, estes foram unânimes em apontar a solução: só os não Chíndios, que ainda tinham o antiquado sistema de anticorpos poderiam sobreviver, desde que tivessem carrapatos nas virilhas, o que era transmitido no ato sexual frontal. Quem não tivesse pelos pubianos poderiam tomar uma injeção de sangue de carrapato, mas a logística tinha sido destruída desde que as crianças humanas tinham sido substituídas pelos bebês Chíndios, fornecidos pelo PCC - Poder Central Comum.
Com a extinção dos Chíndios era preciso recompor urgentemente a população do planeta para ocuparem os prédios de vidro, passearem de autoflys e fazerem viagens turísticas em dirigíveis de bolhas de grafeno e Hélio. Monsieur Nez, cujo nariz era maior que seu rosto, apareceu em todas as telas projetadas em todas as paredes de todos os prédios de habitação recomendando a todos à prática de sexo frontal, virilha contra virilha, para infestação global do carrapato Salvador.
O som produzido pelas interações sexuais foi ensurdecedor durante a semana seguinte. Os humanos, ex-sapien, recuperaram a alegria de viver. Todos sorriam todo o tempo, o que era umuito engraçado, por que falavam uns com os outros com os dentes à mostra e a musculatura do abdome tremendo de tanto esforço despendido.
B... b... b... bo... bo... bo... Bom... Bom... Bom... d... d... d... di... di... di... dia... ah! ah! ah!
Foi uma festa planetária, todo mundo "fazendo menino"... Então redescobriu-se a utilidade da dicotomia de gênero, homem x mulher.
Na batata! Que crônica atual e interessante 👏🏻👏🏻👏🏻 Parabéns pela construção
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