Sorte ou destino?
Quando somos compostos em ovo, já trazemos o desenho que teremos durante a vida. A depender desse desenho uns poderão ser bons músicos, outros não, por mais que se esforcem. Então há um quantum de determinismo na nossa vida. À esse desenho está associada uma vontade, uma força interior que vai dirigindo o desenvolvimento do ser. Dotado de liberdade o ser pode, ou não, explorar esse potencial. Mas ele estará lá.
O ser humano nasce bom e assim pode permanecer. Mas precisa voltar-se para si, egoisticamente, para sobreviver. O bebê ao nascer traz a vontade instintiva de alimentar-se. Para isso ele vai se tornar bravo e vai lutar pelo leite materno. Se precisar morder, vai morder. Nisso não há maldade e sim bondade, virtude, busca preservar a vida que há em si.
Ao longo da vida todos os animais, com ou sem razão, desenvolvem um quantum de egocentrismo e lutam pela preservação da própria vida. Nisso podem se tornar agressivos, possessivos.
Para enfrentar os mais fortes e aos seus predadores, os mais fracos buscam unir-se a outros, ainda com o objetivo de auto preservar-se e ao grupo.
Entre os animais racionais surge a necessidade de coibir a agressividade entre os membros do grupo familiar, daí o princípio da autoridade, do mando, do comando. Com o crescimento do grupo, com a formação de tribos, de clãs, as necessidades de preservação exigem especialização. Os machos fortes defendem e caçam. As mulheres fazem o controle interno. Assim se estrutura a sociedade no seu início.
É próprio dos animais medirem força, primeiro como brincadeira, necessária ao desenvolvimento de suas habilidades ulteriores de ataque e defesa. Quando um deles consegue se impor aos demais, usa dessa força para suprir seus desejos e necessidades. Daí surgem os conflitos de interesse que se resolve pela expulsão do agressor pelos demais, unidos.
Ao longo do tempo a racionalidade mostra a necessidade de regras que evitem os conflitos, surgindo o estado que associa o poder de contenção pelos mais fortes a um regramento moral. Assim se estruturam as sociedades e não pela luta de classes, inexistentes no início das comunidades.
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