Emílio trabalhava desde pequeno nas tarefas da casa. Cada um tinha uma especialidade: a avó, meio índia, fazia esteiras. A mãe, fazia bolsas de vários tamanhos. O pai, fazia grandes chapéus, os sombreros. E o menino acompanhava com curiosidade todas aquelas artes. às vezes tentava ajudar, mas a mãe reclamava por que ele babava muito e sujava as peças no acabamento. Por isso ele fazia coisas que não exigissem muito cuidado. Varrer a casa, alimentar as galinhas no quintal, tirar água da cisterna para o gasto da casa e para molhar o milho e outras plantas da horta caseira. No passado a mãe e a avó ajudavam a fazer os chapéus para o velho vender. Depois que a avó morreu, a mãe entristeceu. Emagreceu e tossia que dava dó. Com pouco tempo ela também se foi. Agora o velho é que tinha que fazer, sozinho, e vender os chapéus. O rapaz mal frequentou a escola. Quando aprendeu a ler e escrever o pai disse que bastava, pois ele mesmo mal sabia assinar o nome e tinha a roça pra cuidar da famíli...
Almocei mais cedo e saí para trabalhar. Tinha que documentar um projeto agrário, em desenvolvimento no Alentejo. Precisava estar em um lugar alto, mesmo um pouco distante do assunto, um grande conjunto de estufas em um belo vale perto da Serra da Arrábida. Parei o carro defronte da entrada de uma quinta com galpões típicos para criação de galinhas. Subi a colina a pé, margeando as casas miseráveis à esquerda. Do outro lado da ladeira descortinava-se um imenso vale, onde se produzia uvas de alta qualidade. A planície inteira estava sendo usada para desenvolvimento de uvas viníferas de qualidade superior. Trouxera-se para lá imensa quantidade de terras próprias para o cultivo de diversos tipos de uvas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, uvas da região, do Douro, da Espanha, da França e de outras províncias distantes: Chile, Argentina e até da Austrália. Se expostas ao Sol, à chuva e aos.ventos, era claro que não iria dar certo. Por isso estavam todas protegidas por estufas cli...
Passei pela Serra do Espinhaço, no Município de Maracás, na Bahia, lá pelos anos 60, com meu pai, a caminho de uns 500 hectares de terra (255 titulados), que ele ganhara de presente de um dentista prático, com quem tentara aprender a arte de "protético". Terra tórrida, onde nem passarinhos sobreviviam. De umbu em umbu caia uma chuva e formava-se um córrego que deixava umas poucas poças d'água, onde as aves de arribação se dessedentavam e, como era da sua natureza, logo arribavam para sítios melhores. O que se via verde ou era um periquito extraviado ou a ponta de uma aroeira que se negava a morrer. Para chegar à roça era preciso pousar primeiro numa antiga casa de fazenda, pertencente a um senhor muito idoso, o sr, Eloy, que resistia à beira da estrada, a 6 léguas de Maracás, junto da única lagoa permanente, a de Pé do morro, água que partilhávamos com o gado, eu, ainda um meninote. O velho Eloy contava ter saído dali, a cavalo, 50 anos antes, para uma visita à cidade de...
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