Eroildes Fonseca - mulher maravilhosa!

Em 19 de Janeiro, próximo passado, teria sido o 104⁰ aniversário da Professora Eroildes Fonseca. Uma incrível mulher! 
Nascida em Mutuípe, Bahia, de família pobre, mãe costureira, aos 14 anos já dava aulas, e em 1938 era professora no Sertão de Boa Nova. 
Telegrafista em Ibicuí, Bahia, como Agente Postal Telegráfica - APT, tinha o equipamento dos Correios e Telégrafos dentro de casa, soltando faíscas em tempos de grande eletricidade estática, de relâmpagos, que assustavam os, até então, 5 filhos.
Consciente de sua responsabilidade com a divulgação da cultura, já nos 50, importava do Rio de Janeiro, Capital da República, a revista 'O Cruzeiro', que fazia o primogênito Charles Wellington, levar às portas das casas, anunciando, o pequeno e diligente mercador: - Quer compar Cuzeiro? Quer compar Cuzeiro?
D. Eroildes amava nomes compostos. O nome do primeiro honenageava um dos pais da grande nação da América, ao Norte. O da primeira filha, Gleide Rosalee, homenageou a
cantora, escritora e pietisa Rosalee Mills Appleby. O segundo filho escapou recebendo o nome do pai, Ataide Jr. Do segundo nome da segunda filha, Dulce "Edry", eu nunca soube a motivação. A mim coube outro nome de peso: César Augusto! E o caçula serviu para outra homenagem. Dessa vez a Erik Nielsen, o "Apóstolo da Amazônia", um sueco que veio para a Amazônia em 1891, por conta própria, sem garantia de sustento, com um punhado de bíblias sagradas em inglês, para vender e difundir a religião cristã (Batista) entre os ribeirinhos dos rios da Amazônia, primeiro em barcos a vapor, depois remando em canoas e, finalmente, em um barco doado, chegando até Iquitos, no Perú. Claro que ela traduziu para Eurico Nelson! Era uma Batista fiel, que levou-nos, seus 6 filhos, a frequentar a igreja a partir do segundo mês de vida.
Em 1958, "com a barriga na boca" completou o Curso Normal, no "Colégio do Padre", em Jequié! Era encantada com a educação e, por isso, o castigo preferido era nos fazer ler. Claro que todos aprendemos a ler e escrever muito bem e, com a prática religiosa, a falar em público.
A Prof. Eroildes gostava de recitar poemas vibrantes de Castro Alves como O Navio Negreiro, Vozes d'África, O livro e a América. Ainda me lembro de sua voz alta e clara:
"Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu"estrela tu t"escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?..."

Sempre interessada em aprender coisas novas estudava sozinha a língua inglesa, pois, dizia, ainda iria morar na América. Não realizou o sonho, mas hoje estaria radiante por ter mais de 10 descendentes já estadunidenses! Andou estudando a Filosofia Positivista de Augusto Comte, A História da Filosofia de Will Durant, e Filosofia da Educação, disciplina que lecionou em Feira de Santana.
Atenta à educação dos filhos, acompanhava o desenvolvimento na escola e em casa vigiava as tarefas escolares. E estimulava a leitura do livro sagrado e outros. Cheguei a ler os 18 volumes do "Tesouro da Juventude" antes de entrar no ginásio. A ajudei a dar aulas com o livro "Admissão ao Ginásio".
Ibicuí era meio fim de mundo para quem queria crescer e viemos para Jequié - a Cidade Sol, onde se formou professora.
O filho mais velho foi estudar medicina na Capital da Bahia, a primeira filha, Teologia na capital de Pernambuco.
Depois de algum tempo em Feira de Santana e Vitória da Conquista nos assentamos em Salvador, onde seguimos nossos destinos. 
Quando nos deixou, todos os filhos tinham  chegado à Universidade, do que se orgulhava.
Me lembro da minha elegante mãe sempre com muita admiração e gratidão. Penso que boa parte das bênçãos que tenho recebido são créditos obtidos por ela em sua fiel religiosidade.
Obrigado, Professora Eroildes Fonseca!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Emílio "Zapata"

Colina do desespero

Fazenda Mansão