A morte do poeta

Morreu Noel, a Rosa de Vila Isabel, em maio de trinta e sete. Pouco antes, do bolso do pijama, escapara o último samba: Chuva de Vento, rimando chuva com viúva, vento com cinzento. Mesmo na véspera da morte, brincava com sua arte. Brilhou por sete curtíssimos anos. Sabia que viveria pouco e procurou ser produtivo. Vivia com o lápis à mão. Deixou primores como Fita Amarela, Gago Apaixonado, Com Que Roupa, O Orvalho Vem Caindo, Até Amanhã, Palpite Infeliz, Três Apitos, Quem Ri Melhor, Último Desejo, Pierrot Apaixonado, Conversa de Botequim, Dama do Cabaré, Linda Pequena (Pastorinhas), Palpite Infeliz... Enfim, tirando os muitíssimos improvisos (sem registro) dos desafios nas rádios, nos deixou quase 130 canções, inclusive uma singela homenagem à Bahia, talvez por causa de sua ascendência baiana:

"Na Bahia

Aonde é que o nosso Brasil principia?
Na Bahia! Na Bahia!
Aonde foi que Jesus pregou sia filosofia?
Na Bahia! Na Bahia!

Todo santo dia
nasce um samba na Bahia.
Samba tem feitiço.
Todo mundo sabe disso.

A minha Bahia
forneceu a fantasia
mais originall
que se vê no Carnaval.

Em São Salvador,
terra de luz e de amor,
só o samba cabe...
Disso todo o mundo sabe!"

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