Lua triste!
Hoje vi a Lua, num céu sem nuvens, por cima da mangueira da casa vizinha. Embora cheia de claridade, pareceu-me triste. Pensei perguntar-lhe:
- Que viste, oh! Lua, que te trouxe tamanha tristeza, se nos céus há, sempre, tanta beleza?
Será que a Lua viu idosas, encantadas, com suas bíblias e bandeiras serem sequestradas, condenadas e aprisionadas por fatos de que sequer sabiam, como criminosos, por homens e mulheres com fardas e capas vistosas, traidores de si mesmos?
Ou terá visto bandos de salteadores serelepes, saltitantes, carregando em seus alforjes a riqueza da pobreza, amealhada pela realeza?
Terá visto a Lua a verdade nua e crua da injustiça pela rua?
Será que viu uma juventude com cérebros lavados com o vinagre da mentira, destruídos pelas inverdades e instruídos com narrativas adredemente preparadas para os enganar?
Será que ouviu um artrópode amputado dizer como mentia descaradamente aos povos brancos do andar de cima sobre supostas milhões de crianças a vagar famintas pelas ruas? E que o chamavam com honra de "Doutor"?
Lua! Oh Lua! Não te passaram para trás. Estarás, sempre, noite após noite a testemunhar a covardia dos protetores e defensores, escondidos nas coxias, Por trás das bermas, a tremer as pernas, os braços fracos, as mãos encolhidas, negando a acolhida, dos que, na luta renhida, sabem que viver é lutar!
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