Ainda estamos todos aqui
Hoje o dia estava feio para caminhar, resolvi passear de transporte público. Andei 300 mts até a Avenida Principal, tomei o autocarro que me levou à estação de comboios de Coina, desci na estação de Sete Rios, atravessei a estação até o Metrô do Jardim Zoológico, que me levou à Estação da Luz, que dá acesso ao Centro Comercial Colombo. Aí, comi uma salada simples e fui assistir "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro como Eunice Paiva em diferentes fases de sua vida, além de Selton Mello no papel de Rubens Paiva. O filme, quase perfeito, pecou apenas onde todos filmes brasileiros pecam. No som, que nos diálogos onde não há possibilidade de leitura labial, não são entendidos por quem não tem grande acuidade auditiva, que é meu caso.
Penso que o cineasta foi inteligente em não exacerbar a cantilena conhecida contra a tortura. Em vez de mostrar pessoas penduradas, sangrando, de cabeça para baixo, preferiu mostrar os danos emocionais que o medo causa nas pessoas.
Se fosse um filme vingativo teria mostrado a realidade dolorosa da tortura, de ontem e de hoje, prática abjeta, que sempre mereçe ser, sempre, fortemente denunciada e condenada. Mas o diretor se mostrou maus una vez competente, denunciando com firmeza, sem gritar, sem "baixar o nivel".Se
não fosse o produtor do filme um bilionário banqueiro que vive dos
juros escorchantes cobrados do povo brasileiro e que usou dinheiro do
povo para financiar seu filme, eu teria prazer em dizer: Parabéns a
Walter Salles!
Por
respeito aos presos políticos que ainda estão na cadeia, por forca
de decisões inconstitucionais, por força de um golpe do Estado
contra a nação, não parabenizo a ninguém!
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