Querido Vidário

Querido vidário...
Pensei em escrever um diário, como os normais o fazem. Mas não sou normal. Pensando bem, anormal seria escrever um diário. Afinal o Google, o Facebook e, portanto, o resto do meu pequeno mundo já sabem mais ou menos o que fiz e disse ontem, "trasantonte" e o que farei, pensarei e direi hoje e amanhã e depois, depois, depois... Aliás, boa parte do que verei, ouvirei, e direi será decidido pelos seus algoritmos, tiranetes de que não posso, não consigo me livrar.
Desde a metade da semana finda estou no estaleiro, perna direita engessada, e assim estaremos indissoluvelmente juntos por mais 4 e meia semanas de dissabor.
Devagarinho vou descobrindo que a vida seria bem melhor do que é se me desse certos pequenos confortos. onde foram parar aquelas poltronas acolhedoras, em que nos sentíamos abraçados,  acolhidos, aconchegados, como um colo de avó na hora do dengo? Já se vão meses, anos até, que me prometo aquela cama com estrado articulado. Por quê não comprei? Vergonha de assumir a solteirice e ter que assumir a velhice. Afinal, daqui a pouco mais de 3 meses, deixarei para trás 6 dúzias de anos. Falando assim, em dúzias, parece pouca vida. Mas se eu contar em turnos de trabalho, 53 anos vezes... vezes... v...xapralá!


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